Bretas critica ‘lentidão’ do STF e cobra ajuda dos EUA

Em palestra nos Estados Unidos, Bretas critica ‘lentidão’ do STF e cobra ajuda do país.

Durante palestra nesta segunda-feira (16) na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, o juiz Marcelo Bretas, criticou a “lentidão” em decisões do Supremo Tribunal Federal e cobrou dos nortea-mericanos mais colaboração em processos que envolvam lavagem de dinheiro.

É muito importante que os países se unam. Colaboração de países como a França, Alemanha e Suíça tem ajudado a Lava Jato. Os Estados Unidos também são um parceiro importante. O dólar é uma moeda bastante utilizada para lavagem de dinheiro. Infelizmente o país ajuda pouco.

Bretas falou num “preso importante, apontado como grande financiador de uma organização criminosa e um dos grandes responsáveis pelo grave estado financeiro do estado do Rio”.

Apesar do pedido de prisão, não tivemos a necessária e esperada atenção do governo americano. Essa pessoa é uma refugiada, vive na Flórida, com muitos bens, e nosso trabalho fica prejudicado. É importante trazer essa discussão porque o discurso contra corrupção é muito bonito, mas a prática nem sempre segue esse caminho.

Também durante a apresentação, Bretas falou sobre os desafios referentes à influência de empresários no Poder Judiciário brasileiro, relacionamento que classificou como “promíscuo”. O juiz disse que não se pode espera que a luta contra a corrupção seja protagonizada pelo Legislativo e citou exemplos hipotéticos em que magistrados aceitem atuar em troca de nomeações políticas.

Especificamente sobre o Supremo, o juiz deu como exemplo a espera de homologação de colaboração premiada que, segundo ele, está há um ano para ser analisada pelos ministros. Bretas disse que isso é um “exemplo” de como o trabalho de juízes brasileiros acaba sendo dificultado.

Não podemos contar que a luta contra a corrupção venha do poder legislativo. É difícil encontrar provas de que um determinado juiz ou membro do judiciário receba uma caixa de dinheiro para tomar uma decisão. Seria horrível, mas às vezes não precisamos de uma cena tão absurda, mas o simples fato dele aceitar o emprego numa grande empresa para seu filho ou sobrinho ou um contrato milionário com uma grande empresa, grande empreiteira, situações como essa que vez por outra se coloca como possível. Isso mostra a dificuldade que é avançar nessa luta que é a corrupção. A influência política também é importante.

O juiz aproveitou o espaço para criticar o foro privilegiado. Bretas falou à plateia que, às vezes, criminosos confessos esperam décadas até que tenham a pena executada, basta que para isso tenham condições de bancar os custos do processo e pagar pelos recursos.

Um condenado, por vezes confesso, condenado criminalmente, confesso, poderia esperar décadas até a execução da pena. Basta que tenha condições financeiras de custear todos os recursos, e são dezenas que estão à disposição. A redução do foro privilegiado, pela possibilidade de algumas, não são algumas, são milhares de autoridades têm de serem julgadas apenas por determinados órgãos judiciais. Essa redução, mais uma vez tenho que fazer justiça, é um tema que já é vitorioso no nosso Supremo Tribunal Federal.

Com informações do G1

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